Jovens em vulnerabilidade social (1)
Pe. João Mendonça, sdb
Escrevo esta primeira parte do artigo na memória de um
santo jovem, protetor dos jovens, São Luís de Gonzaga. Nasceu em Mântua,
Itália, no ano de 1568 e morreu em Roma em 1591, com apenas 23 anos. Renunciou
a uma vida nobre e ingressou na Companhia de Jesus, Jesuítas. Jovem educado,
com espírito de sacrifício, caridade ativa e profunda experiência de Deus.
Infelizmente, quando o assunto é jovem, sobretudo das
periferias da cidade de Manaus, ainda se pensa em criminalidade, quer dizer,
delinquência juvenil. Seria esta uma leitura correta ou um estigma social?
Mesmo sofrendo um atentado domingo 24/06, com um revolver apontado para a minha
cabeça, não generalizo. Acredito nos jovens.
As reflexões sobre as juventudes e as políticas públicas
sociais avançaram no Brasil durante o governo Lula, sobretudo a partir de 2005
com as políticas nacionais de juventude. O Pró-jovem, por exemplo, é o carro
chefe dos 32 projetos que o governo federal tem para desenvolver a educação
básica, a inclusão digital e a capacitação profissional juvenil. Contudo, ainda
precisamos concretizar muitos desses projetos e ouvir os jovens, hoje classificados
na idade entre os 18 aos 30 anos. Saber o que eles pensam dessas metas é muito
importante.
O que seria, então, vulnerabilidade social dos jovens?
Ser jovem, em tese, nos remete a energia, vontade de viver, futuro. Entretanto,
hoje é comum o contrário. Sem perspectivas e mergulhados numa sociedade de
consumo e da indiferença, os jovens vivem menos, por conseguinte morrem mais
cedo. Os homicídios que segundo dados do IBGE aumentaram 41% nos assustam, os
suicídios e os acidentes automobilísticos envolvendo jovens ensopam as paginas
dos jornais cotidianamente. É um grito que sobe aos céus. Não podemos ficar
indiferentes.
Pesquisam apontam que a maioria dos jovens são obrigados
a fazer uma lamentável opção: trabalhar ou estudar. Realizar ambas as atividades
é para poucos. Infelizmente os que trabalham e ganham pouco, sobrevivem;
abandonam a família e rompem com os vínculos familiares muito cedo. Aqueles que
apenas estudam dependem dos pais ou de algum familiar ou se prostituem,
aumentando mais ainda a vulnerabilidade social. É cada vez mais alarmante o uso
de adolescentes e jovens pelo tráfico de drogas e assaltos. Enquanto nos países
chamados desenvolvidos os jovens são capacitados e qualificados para o mercado
de trabalho aqui eles recebem uma qualificação inferior, portanto,
desqualificados para o trabalho.
Seriam, então, os jovens na linha de pobreza
delinquentes em potencial? A sociedade da desigualdade social e da corrupção
institucionalizada pode lavar as mãos diante deste quadro social? Um grito por justiça
sobre aos céus e a pergunta divina ecoa em nossos ouvidos ainda hoje: Onde está
o teu irmão Abel? (Gen 4,9).
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